Descobertas

Posted on 27/03/2014 por

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Descoberta

Por Tânia Barroso

      Estava hoje à tarde num shopping. Passei em frente à livraria. O impulso me empurrava para dentro. A razão fazia lembrar que iniciamos um período de contenção de despesas. Tenho ainda muitos livros novos para ler.  Não é hora de comprar nada. Pronto! Estava dentro da loja.

Pensei: só uma passada rápida. Quando dei por mim, chorava de emoção, em plena livraria. O atendente veio me acudir. – Posso ajudá-la, senhora? Não. Não podia.

Estava em frente à prateleira de “Literatura Brasileira”. Meus olhos foram atingidos pelas letras que formavam o título do livro. O coração saltou forte. Os pulmões pausaram. Lágrimas escapuliram sem controle. Sem licença. Meu corpo amoleceu enquanto minhas mãos iam buscar o livro na prateleira.

Abracei-o contra meu peito. Eu era amiga do escritor. Que emoção!

Como não teria ainda lido aquela obra? Por que? Que lerdeza me fizera protelar  este abraço?

Saí correndo da livraria, ainda abraçada com o livro. Procurei um banco. Lugar de pouco movimento. Achei. Ao lado,  enorme vazo com arbusto. Me escondi sob suas folhas. Numa ansiedade, que sequer imaginava a tamanha emoção que a abafaria, comecei a ler o livro.

Pensei que soubesse quem era meu amigo. Não sabia. A cada capítulo, nova revelação. A cada revelação, maior admiração.

Sonho. Era sempre um sonho o que ele perseguia. Coisas que pareceriam impossíveis para a maioria, ele dava um jeito. Corria atrás. Escrevia cartas. Levava ao correio.  Batia em portas. De preferência, mostrava a cara. Pedindo. Era sem vergonha. Pedia sem vergonha. Sabia bem o que queria e tinha certeza que iria alcançar.

Hoje é grato. Isso é grandeza. Não chegamos sozinhos a nenhum lugar. Ele sabe. Sempre soube. Agradeceu e agradece aqueles que o estimulam, o apoiam. Cada vez é mais aplaudido. Admirado. Agora presta apoio. Com alegria.

É humilde. Sabe que a vaidade esconde muita verdade. Ele é verdade. Ele é a verdade dentro de seu grande sonho.

Ama ler. Ama escrever. Ama representar que é um ou outro. Que é tantos. E ele é tanto! Ele é muito!

Pensar que tenho a honra de conviver com ser humano tão especial, tão luminoso, me emociona.

Sugiro que todos conheçam melhor este ser de luz, este escritor  nosso contemporâneo. “O livreiro do alemão”, de Otávio Junior, pode ajudar nesta descoberta. É história singular.

Exemplo vivo de quem faz “Movimento por um Brasil literário”!

Ao amigo Otávio, com carinho e admiração, minha reverência.

Verão de 2014

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