Perfeita imperfeição

Posted on 06/08/2014 por

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Argument Between Little Girl and Boy on Valentines, Copy Space

 

Por Carol Szabadkai

 

Sempre que escrevo sobre relacionamento, retrato o meu em momentos especiais, momentos que no futuro eu gostarei de ler e relembrar, momentos que eu considero importantes e acredito que retratem melhor a essência do que vivo. Isso pode dar a impressão de que jamais brigamos, que não existem dificuldades ou aqueles dias chatos, em que um dos dois está mal-humorado, ou quando os dois acordam com o pé esquerdo…

Existem! Eu vivo num relacionamento real. Casei-me com um homem real, que as vezes é chato e parece um ogro, mesmo portando-se como príncipe a maior parte do tempo. Certo, vou confessar, eu também tenho meus dias de chatice… umas raras vezes…

Normalmente, nossas brigas começam por pura impaciência de uma das partes – nem vou dizer que a parte dele é mais impaciente, ele sabe – e se estou num dia bom, amenizo, ficando na minha ou fazendo algo para agradar. Quando o astral se eleva, basta um olhar meu, com uma mensagem silenciosa de “pronto, já passou?” e ele cai na risada, se eu estou num dia ruim, fechamos a cara e cada um vai bufar no seu canto, até acalmar, e depois rimos juntos com o tal olhar de “já passou”. Essa é nossa briguinha rotineira, praticamente sem motivos… Vira e mexe, aparece uma um pouco mais intensa. É natural que exista. Para essas, temos uma regra: nunca dormir brigados. Já passamos noites em claro, que nos trouxeram dias mais calmos, depois de contornar o problema.

Discutir não é ruim, embora não seja agradável no momento em que você está com um nó na garganta, pronta para chorar e xingar o companheiro, mandando toda paciência para o espaço… Eu começo minhas brigas assim, já chorando logo de cara. Péssimo costume!

As brigas são necessárias para se moldar um relacionamento, para se conhecer o outro mais profundamente e para esclarecer pontos que não ficaram bem entendidos entre o casal. É verdade que não podemos mudar a pessoa que escolhemos, é preciso aceitar o pacote, mas é fundamental que ambas as partes se moldem num objetivo comum, de forma que tudo se encaixe em um só plano. Um relacionamento implica em trabalho constante. Cedemos um pouquinho aqui, insistimos um pouquinho ali, o equilíbrio vai surgindo com argumentos e é assim que o entendimento nasce de uma discussão.

Quando falo sobre brigas, não quero dizer violência, que fique bem claro! Respeito mútuo é indispensável, mesmo nos momentos mais tensos.

É importante não deixar para trás coisas que possam voltar a assombrar a vida do casal, pois a mágoa é algo que permanece e cresce, não é esquecida. Porém, não vamos inventar motivos e começar a brigar por tudo. Se o clima está legal, curte o mar manso, antes da próxima tempestade! Certas coisas não merecem atenção e contar até três antes de entrar numa discussão desnecessária é muito útil.

Um relacionamento bem sucedido não depende de uma fada madrinha, também não está escondido somente em sorrisos constantes e momentos ao pôr-do-sol. A vida não é um conto de fadas… Ainda bem! É tão mais colorida! Traz toda uma história depois do ponto final, feita de cumplicidade e pequenos tropeços. Caímos, levantamos e seguimos de mãos dadas, constantemente. Ninguém recebe um relacionamento pronto, sem nunca ter que trabalhar nele, sem nada para lapidar.

Brigas acontecem… O importante é não esquecer o sorriso depois que elas passam, o abraço reconciliador, o beijo que traz de volta a sensação de “felizes para sempre”… O importante é nunca esquecer de dançar quando toca nossa música, é não esquecer de dar as mãos enquanto vemos um filme romântico qualquer, sempre dar um beijinho de despedida e um de boas-vindas… Uma flor inesperada, uma sobremesa especial em um dia qualquer… Importantíssimo é não parar de fazer piadas e rir juntos, fazer careta e papel de bobos… E imprescindível dizer incansáveis vezes “Eu te amo”, que essa frase nunca se faz desnecessária entre um casal, por mais que se saiba. O romantismo é algo que se consome, se não produzimos mais, ele se extingue.

Não se confundam! Não somos um casal perfeito… mas temos a ideal imperfeição para um final feliz.

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Posted in: Carol Szabadkai