Comemoração

Posted on 25/08/2014 por

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vistaalegre

Por Tânia Barroso

Era o ano de 1954. Comoveu o Brasil a notícia do suicídio do Presidente Getúlio Vargas. Precisamente no dia 24 de agosto, na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal.

60 anos tem este episódio de nossa história. Muita coisa transcorreu ao longo de todo esse tempo. Mudanças sociais, políticas, econômicas, tecnológicas…

Também há 60 anos, mudança de endereço. Um homem de 31 anos, casado, pai de menina de 2 anos, envereda, corajosamente, por uma aventura.

Aventura digna de registro.

Bairro moderno, para a época, acabava de ser construído. Prenunciava o modelo atual de condomínios de casas. Essas, de arquitetura simples e semelhantes. 11 ruas. 400 casas. Uma delas reservada para que ali se instalasse a administração do condomínio.  Áreas livres de praças e jardins.

Na época, não havia muitas construções de casas lado a lado, como aquelas. Tudo cheirava a novo e moderno. Local: Vista Alegre.

Quando o casal chegou, escolheu casa de esquina. A mais clara e arejada.  Em frente, uma pracinha.   Árvores plantadas. Banquinho de cimento. Por vezes sentaram no banquinho para sonhar seus sonhos. Admirar sua casa própria, seu lar, onde cresceriam seus filhos.

Inicialmente, grandes chácaras vendiam verduras fresquinhas. Fazendas forneciam leite direto da vaca. Um grande pântano oferecia, a quem gostasse e se aventurasse, a possibilidade de pegar rãs. E nada mais.

Água nem sempre chegava às torneiras. Necessário ir buscá-la numa fonte, não tão perto. Certa vez, descarregava um enorme balde de água de sua bicicleta. Quando volta ao portão, não a encontra mais. Havia sido silenciosamente roubada. Seu transporte ficaria prejudicado por algum tempo. Consequentemente, sua família também.

Quando o endereço era oferecido aos amigos, com orgulho e muito carinho, a pergunta seguinte era: Mas, onde é mesmo? Difícil explicar. Segue a av. Brasil, então ainda cheirando a nova, desce em Parada de Lucas, contorna…

  1. Brasil também era nova. Parecia enorme. Trânsito leve. Transportes coletivos raros. Após caminhar quase 2 km., era lá que chegava este homem, para pegar um ônibus que o levaria até o centro da cidade, onde trabalhava.

Mais tarde, Manchete seria uma referência de muito valor. Enorme terreno foi ocupado por construções modernas, a beira da av Brasil, onde se instalou a gráfica da Rede Manchete. Visitas ilustres circulavam por lá. Na época, um dos mais importantes conglomerados da imprensa no Brasil.

Revistas quentinhas, saídas da gráfica, chegavam à casa, pelas mãos de amigos,  e apresentavam o mundo àquela família, que só o conhecia pelo rádio.

Outra referência para a chegada era o cemitério de Irajá. Não tão nobre quanto a Manchete. Mas bem mais antigo, portanto, uma boa referência. Afinal, quem não conhece  cemitérios?

Feliz, orgulhoso e pretendendo dividir com sua mãe, já idosa, esta grande realização, convida-a para conhecer sua casa.

Ao chegar, vaidosa por seu filho caçula morar agora em sua casa própria, num lugar tão aprazível, a mãe proclama: Parabéns, filho! Adorável este lugar! E nem é tão longe do Rio de Janeiro!

Ele a perdoou. Estava feliz demais para corrigí-la.

Hoje, comemora 60 anos dessa felicidade, que é nossa também.

            Obrigada meu pai.

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Posted in: Tânia Barroso