Janela indiscreta

Posted on 29/09/2014 por

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Por Carol Szabadkai

Escrevo muito sobre mim, desdobro-me em verbos e coloco à mesa todos os meus

sentimentos, minhas experiências, minhas opiniões.

Esses dias, conversava com uma amiga sobre o meu livro, Grãos de Areia, que está prestes

a ser lançado, depois de tanto tempo e trabalho. O livro conta a história do início do meu

relacionamento com meu marido, complicado e repleto de sentimentos, consequentemente,

cheio de intimidades. Mais uma vez surgiu a pergunta que outros já fizeram em relação ao

blog também:

-Você não acha ruim se expor dessa maneira?

Sempre que alguém me questiona com isso, ponho-me a pensar se é o certo a se fazer e,

então, lembro-me dos motivos para tê-lo feito.

Nossa história é algo que conto e explico constantemente, pois é a consequência da pergunta

inevitável: Como você veio parar na Hungria? – Sendo assim, não é segredo. Além disso,

sempre fica uma grande interrogação sobre o que levou a tomarmos decisões tão precipitadas,

afinal, conhecemo-nos e depois de um mês eu já via passagem para conhecer esse país, que

hoje é minha casa e minha segunda pátria. Foi praticamente natural pensar em escrever a

evolução de tal “loucura”, a ponto que o leitor venha a conhecer, entender e achar, se não

óbvio, pelo menos, aceitável que tenha sido assim.

O livro foi escrito e foram meus leitores, do blog em que me abro tanto quanto, que pediram

sua publicação. Sendo assim, ele simplesmente foi gerado e está para nascer de parto natural,

sem muitas questões existenciais, com vida própria.

Sobre me abrir em palavras, não posso evitar. Como escrever sem deixar um pedacinho da

alma em cada letra? Como deixar um texto impessoal e emocionante ao mesmo tempo? E o

mais importante, como passar o meu melhor, sem dar nada de mim mesma?

Se isso me deixa vulnerável, não tenho nada a fazer, senão aceitar que isso é sina de quem

escreve por amor. Se vão me julgar depois, que eu seja condenada por excesso de sentimento.

E se for me arrepender, que seja por não ter me dado mais ainda. Que a minha vida é uma

porta aberta, onde procuro distribuir coragem e positivismo, onde convido a todos para rir ou

chorar, entender ou discordar, mas principalmente a não ter medo de amar.

É na escrita que encontrei a melhor maneira de ajudar. É assim que me sinto útil, que me

conecto com pessoas que estão tão longe e de onde recebo a energia para continuar. É

natural, é simplesmente certo, nasce e cresce, quase que sem esforço.

Sou assim, só sei escrever sobre o que vem de dentro, pois meus textos nascem de minha

alma, não de minha razão. Quer me conhecer? Não precisa espiar pela janela, minha porta

está aberta, entre e fique à vontade!

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Posted in: Carol Szabadkai