Dias de criança

Posted on 13/10/2014 por

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Ca e Lu 1

Por Flavia Frota Cavalcanti

Para Carolina e Luciana

Criança – principalmente bebê – gosta de paz, silêncio, sossego e rotina. Conforto, horários fixos e nenhuma aventura que perturbe sua tranquilidade.

Criança sente prazer em acordar cedinho, curtir um bate papo ainda no berço, mamar e sair para o banho de sol nosso de cada dia. Mas antes disso, enquanto a mamãe lhe apronta carinhosamente, ela percebe que vem coisa boa por aí. Na porta de casa já começa a sacudir as perninhas e sorrir eufórica antecipando o sagrado passeio de carrinho que está a caminho…

Crianças são sensíveis, espertas e têm o reloginho biológico mais acertado do mundo, mas só o usam quando querem. Geralmente, as mais disciplinadas, têm horinha certa para tudo: dormir e acordar, tomar banho, comer, passear e brincar.

Mas, quando a mãe marca hora no pediatra, elas adivinham e justamente naquele dia resolvem dar a louca nos ponteiros. A cuidadosa mãezinha escolheu o melhor horário para o atendimento – aquele intervalo entre o soninho da tarde e o passeio de carrinho. Mas neste dia seu adorável bebê resolve brincar um pouco mais após o almoço e querer dormir justamente no momento que deveria estar acordando: na hora de ir ao médico.

As jovens mamães piram com essa desarrumação temporal! E lá vai a criança enjoada, chorando e caindo de sono para o consulta mensal.

Ah, crianças! De tanta sensibilidade tornam-se espertas e traquinas desde cedo. Têm prazer em pregar peças e nos fazer passar vergonha. E mais que isso, adoram nos surpreender com os mais lindos sorrisos, as mais doces risadas, o mais delicioso cheirinho e a beleza mais perfeita que Deus já criou.

Que delícia ter um filho para chamar de seu! Ou um sobrinho, vizinho, aluno, um pequeno qualquer para acariciar, mimar e reinar. Quanta benção ser mãe! Que sorte acalentar uma criança! Que desafio cuidar de um filho doente!

E quanta emoção estar ao seu lado em todos os “primeiros”, e são tantos primeiros… O primeiro banho, o primeiro sorriso, a primeira noite completa de sono, o primeiro dentinho, a primeira palavrinha – sempre papai – jamais mamãe! Acredito até que exista uma lei secreta entre os anjos e os bebês fazendo valer essa desagradável pegadinha. E ainda assim é uma graça ouvir sua criança pronunciar pa-pá aos nove meses durante o café da manhã.

Ela lindamente arrumada esperando os pais terminarem o desjejum para então iniciar seu bom dia ao mundo: o ritual diário do passeio de carrinho matinal, onde ela dá bom dia ao sol, às árvores e flores, canta com os passarinhos, balbucia uma íntima conversa com os coleguinhas e logo logo já está se aventurando a engatinhar naquele chão cheio de poeira, para o desespero da zelosa mamãe.

Mas onde estávamos mesmo? Até esqueci! Ah, na tal primeira palavrinha: pa-pá. E o pai todo gabola diz: – Ouviste? A mãe finge-se de surda: O quê? E a meiga criatura repete mil vezes sem parar: pa-pá, pa-pá, pa-pá! Então, já sem saída a mãe desdenha: – Ouvi. O que é isso?

E embora esteja sendo rebaixada ao segundo lugar, a mãe enche a cara de alegria, o pai quase baba de satisfação, e a filhinha continua ali feliz da vida fazendo gracinhas… Depois, nasce a outra filha e repete a mesma desfeita com a mãe, tudo bem, a gente acostuma! E perdoa com o mesmo afeto e compreensão.

Isso é a vida, repleta de momentos simples e corriqueiros que ao mesmo tempo são os mais prazerosos que ela nos proporciona.

Feliz Dia de Criança para as pequenas e grandes crianças!

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