Tchau, Manoel

Posted on 17/11/2014 por

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Manoel de Barros

                                                                                              Por Tânia Barroso

Quando penso em Manoel de Barros, imagino um homem manso e violento.  violento Daquele que quer desconstruir o que está pronto. Porque o que está pronto limita. Impede vôo. Dificulta sonhos. Machuca.

Aquele diferente de tantos. Violento por saber-se violentado. E, justo por isso, para tentar fazer com que outros saibam, mesmo nas suas ignorãças, se torna manso.       Manso quando mostra o sentido da vida pela natureza. Natureza que tudo rege.

Tolos, os que pensam que são poderosos. Poderosos são rios que transbordam águas, provocam morte. Secam e negam vida. Ou as oferecem mansos, como o poeta concebido sem pecado. Na dose certa, alimentam corpos, lavam almas. Tornam impuros dias. Inquietam pensamentos.

Manso, quando em poema escreve como não se escrevera ainda. Fala por despalavras. E há os que entendem. Os que não aprenderam. Os que choram. Os que proclamam que é preciso que se atinja despalavra pra que ela nos transponha.

Manoel de Barros me parece, hoje mais do que antes, um poeta maior. Maior que seu pantanal sem limites, maior que sua estada de 97 anos por aqui. Maior que sua sabedoria de carregar água na peneira.

Musgos te recebam em terra umidárida. Calangos não te atropecem. Araras te sobrevoem com louvamor. Estremeçam os ventos com tua travessagem. E que, por aqui, os galos anunciem teu alvoreçar!

Nasceu!… Nasceu acima das colinas, dos pastos, dos rios, da terra, das árvores. Nasceu o menino Manoel! Glória! Viva! O planeta te saúda e agradece tua passagem.

Homenagem a Manoel de Barros

(1916 – 2014)

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