Como evitar?

Posted on 15/12/2014 por

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menina

Por Tânia Barroso

Bateram à porta. Estremeci. Não é comum. Moro num prédio de condomínio fechado, onde só entram pessoas autorizadas pelos moradores. Não fui consultada. Então… Só poderia ser uma situação excepcional. Ladrão! Pensei com uma rapidez, que até a mim surpreendeu.

Corri para o quarto mais distante da porta. Agachei ao lado da cama e pensei… Pensava muito para aquela situação. Talvez o pânico do desconhecido.

Pensei que eram mal posicionadas as duas portas do meu apartamento. Praticamente uma ao lado da outra. Sendo uma na sala e outra na cozinha. E todo o resto do imóvel se esticava para o lado oposto das portas.

Vou registrar no livro de ocorrências minha insatisfação com o projeto, que não me dava alternativa para fugir do ladrão. Se saísse pela cozinha, ele estaria bem alí ao lado me vendo. O contrário também seria verdadeiro.

Janela! Nem pensar. Décimo terceiro andar. Só com bombeiro e escada Magirus.

Isso, o vizinho! Tentei bater com o cabo do meu guarda chuva, pesado pra caramba, na janela do vizinho. Não tive forças com o braço e ele despencou no jardim do prédio. Graças a Deus não foi na cabeça de ninguém! Graças a Deus na direção de minha janela do quarto tem um jardim!

Estava em pânico. E só durou um segundo pra que esquecesse aquela tentativa. Outra coisa despencando da janela, seria demais para meus nervos. Achei que controlava melhor situações de risco.

O telefone, é claro! Não. Não é claro. Aliás, nem sei qual é a concessionária. Aliás, nem sei qual é meu aparelho. São tantos pra lá e pra cá. Em cima dos móveis, do sofá, da mesa da cozinha, no banheiro…

Tocou um no quarto ao lado e agradeci a Deus ele não estar na sala. Senão o ladrão ouviria.

Corri pra atender, em passos silenciosos, para fingir que não havia ninguém em casa. Foi aí que pensei que talvez fosse melhor nem atender. Assim o ladrão pensaria que a casa estava vazia e desistiria de qualquer intento. Deixei tocar.

Foi quando tocou o telefone fixo na sala. Como não atendi, entrou a secretária eletrônica com a minha voz, dizendo: “Olá! Desculpe não poder atender…” Ferrou tudo! Agora o ladrão ia identificar minha voz. E quando me encontrasse na rua, me abordaria cobrando o insucesso de sua ação criminosa.

Me deu uma vontade louca de tomar banho. Suava por todos os poros. Foi aí que tocou o interfone. Fui salva! Pensei por um momento. É o porteiro anunciando que a polícia já está lá embaixo. O prédio está cercado. Acabou o pesadelo.

Quando cheguei correndo para atender o interfone, lembrei que qualquer coisa que falasse ali o ladrão ouviria do outro lado da porta. Deixei tocar.

Corri pra janela e não vi nenhum carro de polícia na nossa calçada.

Foi quando ouvi um assovio, dentro de casa. O ladrão entrou!…

Quase tropeço no celular carregando na tomada do corredor. Estava aceso. Êpa! Parecia que o assovio veio dalí. Peguei e arranquei da tomada, em pânico. Tinha uma mensagem escrita:

  • Mãe, cadê você? Tô batendo na porta um tempão. Perdi chave e cel. Tão aí? Tô sentado na praça. Qdo. puder faz contato.

Bem que meu filho diz que ando vendo muito jornal na TV. Eles deixam a gente neurótica! Como evitar?

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Posted in: Tânia Barroso