Vidas em cores

Posted on 25/05/2015 por

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 Tania

Por Tânia Barroso

 

Veio pelo WhatsApp a imagem de Mara que coloria desenhos. É moda! De imediato passei minha mensagem dizendo quanto admirava a mãe, agora distante de seus filhos, que criou com enorme dose de amor e dedicação,  se voltasse a colorir desenhos. Forma coerente de dizer que continua desejando o melhor não só para si como para todos que estão em volta. Forma de dizer que deseja um mundo cheio de cores. Como as que transbordam em seus filhos. Admirei.

Emocionalmente envolvida com a ternura que vi naquele gesto, minhas lembranças alcançaram mães que não tiveram desenhos para colorir. Era outra época. A vida foi mais exigente com Izilda. Certa vez lhe perguntei porque usava tomates no arroz, se a mim parecia que não alteravam o paladar e davam mais trabalho.  Respondeu-me com a simplicidade de quem cozinha oferecendo amor: para colorir um pouquinho esse branco de todo dia.  Emocionada, aprendi.

Estendi meu braço para Ruth com a folha. Maneira de chamar sua atenção. De pronto ela me respondeu – que linda! – Está morta, mãe, sequinha! – Nada está morto. Sussurrou no meu ouvido. Tem sim outra forma de vida. Pediu-me mais, com interesse. Saí a catar pelos canteiros numa alegria de descoberta. Coloriu-as todas de rosa e dourado. Preencheu o vaso com outras formas de vida. Me esforço para imitar.

 

Outono de 2015

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Posted in: Tânia Barroso