Meu primeiro emprego

Posted on 11/06/2015 por

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Por Fábio Maia e Silva

Dia 1.

Meu nome é Anastácio, sou do interior de São Paulo. Vim tentar a sorte grande na capital paulista. Dizem que aqui existe todo tipo de restaurante, a comida é ótima e a vida noturna é super agitada. Vamos descobrir! Estou muito animado! Começo no meu novo emprego amanhã!

Dia 2.
Fui demitido. Cheguei atrasado no serviço. Meu chefe gritou comigo. Argumentei dizendo que era meu primeiro dia e ainda não sabia como me locomover pela cidade, e por isso tinha me perdido. “Você está querendo discutir comigo?”, ele disse. Fiquei com medo. “O medo não é aceito aqui”, ele retrucou. O medo aumentou. Chorei um pouco.

Dia 3.
Fui recontratado. Meu chefe pediu desculpas. Disse que sou uma pessoa honesta. Começaremos novamente amanhã, desta vez com o pé direito. Preciso chegar no trabalho às 9 horas, em ponto. Este é o acordo. Mas agora eu já sei o trajeto, tudo será mais fácil. Acho que vai dar tudo certo!

Dia 4.
Não consegui chegar no horário. Como isso foi possível? Acordei às 6, tomei banho, fiz café, passei meu perfume. Saí de casa às 7, mas só consegui entrar no ônibus às 8. O trânsito estava um absurdo. Entrei no metrô às 9, e quando cheguei no trabalho já eram 10 – e eu já não cheirava mais o meu perfume. Eu era uma mistura de todos os odores de todas as pessoas que encontrei no caminho. Meu chefe não quis saber. Fui demitido.

Dia 5.
Consegui uma nova chance. Desta vez, preciso chegar às 8 para compensar os dias perdidos. Fiz um planejamento estratégico. Acho que agora vai dar tudo certo. Vou dormir para acordar cedo.

Dia 6.
Me atrasei de novo. Puta que pariu, que cidade é essa? Saí de casa às 4 horas da manhã, um frio desgramado, fiquei conversando com um gari até chegar o ônibus. Só depois de uma hora de conversa fiquei sabendo que os motoristas haviam entrado em greve. Tive que fazer uma cruzada para chegar até o metrô. Quando cheguei, haviam tantas pessoas para entrar na estação que só consegui entrar no trem às 8 horas. Acho que passaram a mão na minha bunda. Lembro que alguém vendia doces para ajudar a família. Não conseguia mexer meus braços. Cheguei no trabalho todo amassado. Eu só queria ser feliz. Fui demitido.

Dia 7.
Consegui minha última chance. Tudo o que eu tenho que fazer é chegar no trabalho no horário certo. Eu nem sei mais a minha função no serviço. Minha única missão é chegar no trabalho no horário combinado. Meu futuro depende disso. Dizem que a comida de São Paulo é ótima. Vou dormir.

Dia 8.
Não consegui chegar no horário. Me mudei pra Manaus. Agora vendo cipó. Aqui não tem muitos restaurantes, também não possui uma vida noturna muito agitada, mas pelo menos eu sou feliz. Obrigado, São Paulo.

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Posted in: Fabio Maia