Duas vidas

Posted on 21/09/2015 por

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Por Carol Szabadkai

Hoje em dia, muitas pessoas possuem duas vidas: uma real, outra virtual.

Pessoas como eu, que moro longe da cidade (do país) onde nasci, acabam achando nas redes sociais o caminho de volta à casa. Passar tempo postando, curtindo e comentando fotos, é mais que um simples passatempo, torna-se quase que uma obrigação.

Não é uma obrigação ruim, não me entendam mal. Você quer que participem da sua vida e sente necessidade de participar dos acontecimentos daquela vida que corre sem sua presença. Essa forma de participação, é quase como estar lá: você sabe de tudo, vê, dá palpites… mas isso também te lembra de que está perdendo muita coisa ao vivo…

É preciso muito pensamento positivo para não cair na armadilha de ficar se lamentando por tudo o que perdeu. Eu perco muita coisa: casamentos, comemorações, nascimentos, festas… Até mesmo os momentos difíceis, onde seria bom poder dizer um a palavra amiga, dar um olhar de compreensão, ou simplesmente segurar a mão de alguém.

Na semana passada, por exemplo, aconteceu o Show de estreia da banda de dois primos meus. Desde criança vi meu primo tocar violão. Acompanhei seus estudos quando ele tinha apenas 9 anos e era eu, com meus 11 anos, que ficava cantando ao seu lado, até que ele pegasse os acordes. No natal, fazíamos show juntos para a família. A vida toda torci por sua carreira musical e acompanhei todos os shows que pude. Claro, ele já fez muitos. Mas é sempre triste não estar numa de suas apresentações. Ao mesmo tempo, é maravilhoso ver que ele faz apresentações.

Nessa banda, seu irmão estava como vocalista. Meu primo mais novo, 6 anos mais novo que eu, aquele que curti um monte brincando de ser a mãezinha e que mimei bastante. Ao ver o vídeo que me mandaram, com a mensagem de que eu fiz falta lá, um imenso orgulho me inundou, juntamente com a melancolia de ter perdido esse momento. Queria ter gritado feito louca na plateia! Foi tão lindo! Eu perdi…

Quase que fico triste, mas aí me lembrei do trato que fiz comigo mesma: eu escolhi a vida que tenho, sou feliz com ela e não posso ter tudo. Se quero ser feliz, tenho que ser positiva. Não posso ter Hungria e Brasil ao mesmo tempo no mundo real, mas no virtual, sim!

E que sorte eu tive na vida! Se vivesse as mesmas escolhas há uma geração atrás, não poderia ter isso.

Não é fácil controlar os sentimentos, mas muitas vezes na vida estamos lamentando por algo que deveria ser comemorado. É preciso lembrar de comemorar, agradecer e ser feliz. Traçamos nossos caminhos e queremos abraçar o mundo com eles. A internet quase te deixa fazer isso. É como uma extensão do seu braço, só que não tem o tato de suas mãos.

Ao pensar nisso tudo, logo me recompus, abri um sorriso e curti minha participação virtual. Fiquei feliz por eles. Eu estou com eles! Com todos eles que se lembram de mim, que comentam e compartilham comigo pela internet.

Bendita vida virtual!

Basta juntar ao pensamento positivo e tudo está ao seu alcance.

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