Nada de texto

Posted on 19/11/2015 por

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Por Carol Szabadkai

Essa é a história sobre a inexistência do meu texto.

Minha crônica está marcada para sair na quinta-feira. Estamos na quarta-feira, às 9 horas da noite e estou apenas começando a tentar escrever uma boa desculpa para isso…

Odeio esperar e, por consequência, odeio atrasar ou perder um prazo, mas acaba acontecendo “nas melhores famílias”.

Falando em família, sou a diretora da minha, ou dona de casa, se preferir assim.

Bem, não vou fazer a lista das minhas tarefas domésticas, já que eu sei que todos têm ideia de como funciona uma casa sem fada da limpeza e nessa parte eu não tenho nada a acrescentar. Não vou dizer, por exemplo, que o texto não ficou pronto porque eu tinha roupa para lavar ou compras para fazer, que não cola…

Mas as atividades extracurriculares têm aumentado e eu acho que me servem de álibi aqui nesse caso.

Além da casa, sou voluntaria em alguns lugares, como na Embaixada, onde me proponho a ajudar e responder questões de brasileiros que estão por vir para a Hungria, ou que ainda não sabem algo do país, mesmo já morando aqui. São muitas coisas simples que podem fazer diferença na vida de quem vem para uma nova cultura. Muitas vezes não é preciso mais do que dizer como se chama “farinha” em húngaro (“liszt”, que também é o nome do maior compositor húngaro, por coincidência), para que seja possível ler o rótulo. Recebo alguns e-mails por semana e me comunico com essas pessoas nas redes sociais.

Existem também os casais que se encontram em situação parecida com a que eu vivi: um da Hungria, outro do Brasil e muita dúvida sobre o que fazer, como será o futuro… Eu e meu marido acabamos sendo um exemplo do que pode acontecer e, no meu tempo, como teria sido bom saber de alguém nessa situação! Não tem como negar uma mãozinha. É sempre bom relembrar tudo o que lutamos para chegar até aqui e mostrar que é possível.

Estou participando também de ajuda anônima, através de e-mails… Ajudo amigos, ajudo desconhecidos, faço o possível para facilitar a vida de outras pessoas ou, pelo menos, tirar um sorriso do rosto de quem me procurou. Adoro ajudar! A sensação de conseguir ser útil é viciante e eu vou aumentando minha dose até o limite. Ainda não cheguei lá, mas já me encontro em estado irreversível.

Passei a semana pintando o meu quarto, que estava com problema de bolor… Ainda tenho trabalho a fazer, mas é incrível como fica bem melhor quando somos nós mesmos a realizar o serviço! Pintura e limpeza ao mesmo tempo é possível!

Ah, sim! Tive que ajudar nos estudos de biologia do meu filho. Aprendemos juntos muitas palavras e se acha que esse texto é enrolação, deveria ver a minha cabeça como está depois de algumas horas estudando a função dos insetos em húngaro.

Não vamos esquecer também de que eu estou escrevendo meu segundo livro. Sim, a maior parte do meu tempo de escrita tem sido dedicado a isso e as crônicas estão saindo em menor número. Por vezes, não sai. Como agora…

Não é reclamação, gosto muito de fazer tudo isso, mas toma tempo e quando tudo isso é calculado e você se programa e pensa que terá uns 2 dias para elaborar um bom texto, aparece seu filho doente e lá se foi o prazo…

Nada mais a declarar, essas foram minhas ocupações.

Desculpe-me, a crônica fica para a próxima.

Obrigada pela compreensão.

 

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Posted in: Carol Szabadkai