Cidade Maravilhosa

Posted on 23/11/2015 por

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sonhos

Tânia Barroso

 

Era uma vez, uma menina de 14 anos que se apaixonou por seu professor de francês…

Também pudera. Ele nos incitava sonhos. Nos mostrava a França em slides coloridos. Percorríamos ruas de Paris e vielas do interior afetadas pela guerra e reconstruídas. Cantávamos a Marselhesa e músicas do folclore francês. Quem lembra de Frère Jacques?… Conhecemos até Edith Piaff. Viagens inesquecíveis! Vivíamos tudo aquilo de verdade. Cheguei até a jurar que quando tivesse minha casa, teria jardineiras com flores coloridas nas janelas.

Levava meus sonhos comigo. Quando chegava em casa e abria minha pasta, eles saltavam voando e colorindo os ares. Até as músicas eram ouvidas. E eu contava a minha mãe sobre aquela aula e a quantos mais tivessem paciência para escutar. Repetia sempre que ainda conheceria a França, a Torre Eiffel. Mas muita gente ria de mim. Naquela época, uma menina suburbana, de classe média?…

Minha mãe, sempre atenta, dizia que tudo na vida começa com um sonho.

Hoje, tenho ainda mais certeza de que ele era um professor apaixonável, tanto quanto minha mãe acreditava que eu realizaria também este sonho.

Mas naquela época, tive dúvidas quanto ao que minha mãe pensara.

Digo isso porque certa ocasião, em que ouvia meus suspiros,  comentou que ficava pensando quantos jovens franceses também não sonhavam em conhecer o Brasil, este país imenso! Em vir ao Rio de Janeiro só para passear no bondinho do Pão-de-Açúcar. Para subir até o monumento do Cristo Redentor e contemplar lá de cima a nossa cidade, conhecida no mundo inteiro como Cidade Maravilhosa! Parecia querer me confortar. Afinal, eu também morava numa cidade especial. E continuou com verdadeiro entusiasmo…

Porque é maravilhosa mesmo! Porque a maior maravilha é coisa da natureza, portanto não é obra de artista qualquer. E não está somente no mar que banha nossos corpos, na areia fina e branquinha que massageia nossos pés cansados. Está também nas baías, enseadas, lagoas, canais que encharcam de água benta toda a cidade. Nas serras que desenham molduras e oferecem florestas tropicais. No por do sol que são vários, posto que único. No inverno que não esfria. Sem fim, na maravilha exagerada de ser maravilhosa!

Tamanho era o seu entusiasmo que me emocionei. Com os olhos em lágrimas, fiquei de pé e aplaudi. Ela também estava emocionada e falara com o coração.

A primeira vez que estive na Torre Eiffel só conseguia pensar na declaração comovida de minha mãe. Imediatamente, lembrei de parte de poema de Fernando Pessoa, que diz:

“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”

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Posted in: Tânia Barroso