: Kátia Pino

CURTA CRÔNICA ENTREVISTA

Kátia Pino
(Por Tânia Barroso)

Katia Pino é Psicóloga Clínica, com 25 anos a profissão , e Professora de Psicologia, com várias pós-graduações na área. A partir de 2007, começou a se dedicar à escrita.

Na verdade, considera que escrever é mesmo sua vocação, pois escreve desde menina. “Escrever, para mim, sempre foi uma forma de desabafo, de poder estar em contato comigo mesma, de organizar meus sentimentos. E, de criar novos mundos, personagens. Dar vida, forma. Exercer minha imaginação livremente.”

Talvez aí esteja a explicação para os vários prêmios que já recebeu em tão pouco tempo como escritora independente. Dentre eles, o Prêmio Adolfo Aizen 2008, conferido pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (UBE-RJ) para seu livro de estreia na literatura infantil: Lili, a Estrela do Mar (Oficina Editores, 2007).

Seu primeiro livro de crônicas e poesias “Sou Mulher” veio depois, em 2009, também publicado pela Oficina Editores ( gentilmente oferecido por Katia para ser sorteado entre nossos leitores do Curta Crônicas).

Vamos conhecer um pouco mais de Kátia Pino, seu processo de trabalho e sua relação com o texto, na entrevista cedida ao Curta Crônicas, a seguir:

..

Na sua opinião, qualquer pessoa pode escrever crônicas?

Primeiramente quero agradecer a oportunidade que vocês, escritores do Clube dos Cronistas, estão me oferecendo. Adoro conversar com o público; sempre aprendo nessa troca. E, para nós, escritores independentes, é uma forma excelente de divulgação e apresentação do nosso trabalho.

Agora, quanto à pergunta: para mim, qualquer pessoa, que já goste de escrever, pode sim escrever uma crônica. Não há necessidade de ser experiente, mas de ter sensibilidade e observar os detalhes que passam despercebidos no que será o foco da crônica. Acredito que tudo se aprende e se aprimora.

O que não deve faltar numa boa crônica? O que é bom evitar?

Primeiro teríamos que definir o que é “boa”, “bom”. Não seria essa uma questão de gosto? Como eu não sou um crítico profissional não posso responder essa questão me utilizando dos pontos que todo “bom” crítico deve observar. Vou responder como escritora e leitora.

Todo escrito leva o ponto-de-vista, as ideias, os sentimentos do autor. É o seu estilo. Cada um aprimora o seu: às vezes coloca humor, às vezes crítica, às vezes melancolia. O estilo é pessoal e intransferível. Todos são bons, quando quem lê, se identifica e dá risada, questiona, chora junto com o texto. Mas, conhecer bem sua língua, utilizar bem os tempos verbais, as regras gramaticais e ortográficas de forma correta, é um ponto básico. A não ser, é claro, que os erros façam parte do que você vai narrar. É aquela velha história: para transgredir as normas você tem que conhecê-las e utilizá-las bem.

Eu poderia questionar, um pouco, o uso do “palavrão”, mas já li algumas crônicas que o utilizam e não chocam. Então acredito que tudo é bom, se o leitor vibra com o texto.

Como acontece, com você, o processo de criação de um texto?

Isso varia muito. Digo sempre que, para quem gosta de escrever, qualquer fato ou sentimento pode se tornar fonte de inspiração: um tropeção, uma frase solta que se ouve na rua, uma briga com alguma operadora telefônica, uma notícia, um fato corriqueiro, amor, saudade, tédio, raiva. E, cada uma dessas coisas vai adquirir uma forma melhor para ser expressa: poesia, conto, crônica, história infantil.

Parece que a forma de expressão se impõe. Às vezes quero fazer uma crônica, mas a poesia se mostra melhor para expressar o que quero. Tenho muitas ideias enquanto caminho. Por isso levo sempre meu celular, para gravar as frases que surgem em minha cabeça. Às vezes já saio para caminhar com um tema em mente para desenvolver. As frases surgem e vou gravando. O que vejo na caminhada pode virar fonte de inspiração. Também, o local onde moro é riquíssimo; moro no bairro de Paquetá, um bairro-ilha no meio da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Esse fato, por si mesmo, já pode virar uma crônica.
Chegando em casa, coloco no papel o que está gravado, e vou revisando, aprimorando. Reescrevo e leio em voz alta, para perceber se há uma musicalidade, ritmo (no caso da poesia) ou se não há palavras ou expressões repetidas, que tornariam o texto “chato” de ler (no caso de conto, crônica, história infantil). Geralmente é assim o meu processo criativo.

É importante ler muito para escrever bem?

Acredito que sim. Quanto mais você lê, pode desenvolver a percepção de estilos diferentes e formas variadas de ver o mundo. Pode apreender maneiras criativas, inusitadas, de falar sobre coisas simples. Além disso, seu vocabulário fica muito mais rico: aprende novos sinônimos, antônimos, expressões regionais. Tudo que você pode recriar.

13 Responses “: Kátia Pino” →
  1. Gente, não tenho como agradecer a oportunidade dessa entrevista. É sempre importante esse contato. Quero dizer que já sou fã de vocês. Adoro as crônicas que vocês escrevem. Parabéns e sucesso.

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  2. Maravilhosa entrevista! Meus parabéns, tanto ao entrevistador, quanto a entrevistada.
    Ótimos esclarecimentos, e lindas palavras.
    Parabéns pelo Blog, super informativo e estruturado.
    Abraços.

    papeldeumlivro.blogspot.com

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  3. A escritora e poeta Katia Pino é a sensibilidade em pessoa. Tudo o que ela faz é transbordante de qualidade, beleza, sinceridade, delicadeza, de sorriso poético.

    Katia merece o sucesso.

    Tive a oportunidade de tornar-me seu amigo, o que é uma honra para mim. Lembro como se fosse hoje o dia em que nos conhecemos; aguardávamos a primeira reunião com o poeta e artista multifacetado Sérgio Gerônimo, também editor de nossos primeiros livros – para a organização de nossos lançamentos na Bienal do Livro de 2007, no Rio. Katia me disse morar em Paquetá, eu lhe contei de minha afeição pela ilha.

    A partir dali, conheci seu esposo, o nobre escultor R. B. Reis, e seu inteligente filho; ela conheceu minha mulher Valéria e meus filhos. Hoje mantemos sempre contato via Web, às vezes nos encontramos em eventos da Ilha de Paquetá; torcemos um pelo outro e vibramos sempre pela ascensão de ambos em cada degrau literário.

    Congratulo-me com essa mulher que luta em prol da cultura, essa artista da palavra continuamente de bem com a vida e de sorriso permanente nos lábios, merecedora cada vez mais de concretizar seus sonhos.

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  4. VÂNNIA BARBOZA

    05/12/2011

    Amei… Eu já sou admiradora da Katia Pino como gente, como amiga, como escritora. Gostei muito do modo como foi conduzida essa entrevista… Desejo que ela continue brilhando nessa vida literária… que tudo continue sendo sempre sua inspiração, que seu trabalho (aonde for) seja repleto de êxito, que a beleza de sua alma continue sendo como que um feixe de luz….
    Parabenizo Katia Pino por sua atuação na AACLIP, Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá, onde ocupa a função de vice-presidente. Dizem que formamos uma bela dobradinha, sem ensaios…Uma grande parceira. E nunca vou abrir mão de trabalhar com ela…
    Vânnia Barboza
    Presidente da Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá

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  5. Gente! É muito bom ter amigos. Agradeço a todos as palavras, para lá de gentis. E, acreditem, torço sempre pelo sucesso deles.

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  6. Bom dia Kátia! você sabe que estou sempre na torcida por você e sua literatura. Sou fã da “lili” há muito tempo… parabéns pelos trabalhos, pelos merecidos prêmios e pela entrevista. Aliás, você já pensou em escrever contos, mesmo fictícios, ambientados em Paquetá? Inspiração com certeza não falta! Abração da iza.

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  7. Maria Goreti

    06/12/2011

    Querida amiga kátia,amei as suas respostas.Parabéns pelo seu trabalho que vem enriquecendo a nossa cultura.Abraços de Maria Goreti.

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  8. Lucimar Medeiros

    22/12/2011

    Parabéns, querida amiga. Como sempre, vc vive me surpreendendo e superando expectativas de todos que vivem ao seu redor. Portanto, só tem um caminho para quem tem atitudes como as suas: O Sucesso! Beijos e tudo de bom!!! Lu Medeiros

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  9. Obrigada a todos. É muito bom ser surpreendente. Como dizia o poeta: “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante; do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

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  10. Vera Maria Almeida

    08/09/2013

    Amei a entrevista, a entrevistadora e a entrevistada. Senti muito orgulho das minhas ilustres primas Katia Pino e Tânia Barroso. Sucesso!!!

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    • Katia Pinno

      05/12/2014

      Custei a responder à minha outra prima, também artista: uma artesã de mão cheia. Obrigada Vera. Grande abraço.

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  11. Alexandre de Jesus

    28/02/2016

    Sensacional! Muito bom mesmo! Nós é que aprendemos com você. Uma verdadeira aula de sensibilidade e técnica sobre o que é crônica.

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  12. Alexandre de Jesus: obrigada pelo elogio e pelo carinho.

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